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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.
Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.
Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.
Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®
sexta-feira, outubro 17, 2014
Oi?
sexta-feira, julho 11, 2014
O porta-voz da covardia da direita

Ui! Que MEDA!
O porta-voz da covardia da direita
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Implosão do eu iludido
Neste momento, meu mundo tremeu. Pode até não ter sido o exemplo de machismo do mundo. Certamente não foi. Mas para mim, até ali, tinha sido o mais chocante.
sábado, fevereiro 08, 2014
Apelo-desabafo:

sexta-feira, outubro 09, 2009
Gentileza gera gentileza

Gentileza gera gentileza
A mais subestimada das virtudes humanas faz muita falta no mundo
Vivo num prédio em que boa parte das pessoas não dá bom dia. Nem mesmo um grunhido. Nada. Fora o resto. Na semana passada, abrimos o porta-malas do carro para retirar as compras do supermercado, bem ao lado do elevador. Duas mulheres puxaram a porta antes que conseguíssemos alcançá-la, para não ter de dividir o elevador. Puxaram a porta, porque se ela tivesse fechado naturalmente teria dado tempo de entrarmos. Dá para acreditar? Claro que dá. Volta e meia cruzo no pátio, indo ou vindo, com gente que vai ou vem – e abaixa rapidamente a cabeça para não cruzar os olhos e, então, ser obrigada a me cumprimentar. Essas pessoas não me conhecem, nem sabem se sou bacana ou chata, logo, não é pessoal. Até o zelador, cujas atribuições incluem dar bom dia, só cumprimenta quando está de bom-humor.
Então, aconteceu.
Aquele vizinho, em especial, me irritava muito, porque ignorava solenemente meus sonoros bom-dia e boa-noite. Ele simplesmente passava por mim – e por todo mundo – numa marcha militar, olhos fixos em alguma movimentação de tropas no campo adversário. Eu voltava da minha aula de pilates, na manhã de quarta-feira, toda alongada e saltitante, quando o vi avançando em passadas largas na minha direção. “Bom dia!”, eu disse. Nada. Grilos. Cri, cri, cri.
Aquilo me irritou muito. Mas muito mesmo. Não pensei. Simplesmente me virei, marchei mais rápido do que ele, postei-me na sua frente e gritei: “Bom dia! É importante dar bom dia para as pessoas!”. Ele ficou totalmente desconcertado. E o resto eu não vi, porque marchei direto para o elevador, num passo tão marcial como o dele.
Foi uma cena totalmente absurda. Eu fui absurda. Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza. E não é nada gentil obrigar alguém a ser gentil. Eu fui o oposto de gentil gritando diante do homem que ele deveria ser gentil.
Mas o episódio serviu para que eu pensasse nessa virtude tão subestimada em nosso mundo. Gentileza parece algo menor, descartável. Em alguns casos, até meio otário. Ou fora de moda. Até para escrever essa coluna me pareceu prosaico demais. Pensei: vão achar que estou sem assunto. Então, decidi correr o risco de soar piegas.
“Gentileza gera gentileza”, o título da coluna, foi tomado emprestado dele, o próprio Gentileza. Se você não o conhece, vá atrás de sua história. Garanto, vai ganhar o dia. Eu mesma, na minha ignorância, só sabia que Gentileza havia sido um poeta das ruas que escrevia pelas pilastras do Rio de Janeiro, um pouco maluco, meio folclórico, um tanto extraordinário. E que um dia foi tema de uma música de Marisa Monte. Era bem mais do que isso, descobri. Gentileza foi um grande homem, com um grande legado e uma grande vida.
Passou a maior parte dela pregando a gentileza como um modo de existir. Depois que morreu, em 1996, velhinho, aos 79 anos, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio cobriu seus escritos nas pilastras do viaduto do Caju com tinta cinza. Não podia ser mais simbólico. O apagamento de Gentileza gerou um movimento de reação chamado “Rio com gentileza”, que resgatou o livro urbano de Gentileza e propõe a gentileza como uma forma de estar no mundo. Comecei a pesquisar sobre o Gentileza na internet e de cara entrei no site do movimento. Depois de uma delícia de passeio por lá, saí com vontade de propor o movimento Brasil com gentileza para o meu vizinho.
É sério. Parece pouco. É muito. Faz uma enorme diferença. Quando somos maltratados em algum lugar, por alguém, isso já envenena o nosso dia. E desencadeia reações desencontradas em cadeia. Por outro lado, às vezes nem percebemos, mas a beleza de outro dia, nosso suspeito bom-humor num dia comum, começou lá atrás, quando alguém teve um gesto gentil, nos acolheu com simpatia, nos tratou bem. Seja o nosso chefe, o motorista do ônibus, o balconista da padaria. Faz bem para a vida ser tratado com gentileza. E um gesto gentil também desencadeia reações similares em cadeia. Gentileza, o profeta, tinha toda a razão quando respondia aos que o chamavam de maluco: “Maluco pra te amar, louco pra te salvar”.
Gosto muito de observar as pessoas, os enredos. Percebo que grandes desencontros são desencadeados por um detalhe muito pequeno. É como aquelas cenas de animação, em que o personagem tira uma pedrinha do lugar e causa uma avalanche. Você já deve ter visto em alguma reunião de empresa ou mesmo dentro de casa ou numa repartição pública. Alguém fala algo sem nenhuma gentileza, que poderia ser dito de um jeito muito mais cuidadoso. O destinatário daquela mensagem recebe como agressão e retruca um tom acima. Daí em diante, já era. Não acaba em nada de bom.
Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.
Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.
Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.
Esta, em parte, é a insubordinação contida na arte de Gentileza, o poeta das ruas. Ele, que nunca aceitou um centavo pela sua gentileza. Dizia: “Cobrou é traidor – o padre tá esmolando, o pastor tá pastando e o papa tá papando, papão do capeta capital”.
O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer. Como o que Gentileza deu à cidade do Rio de Janeiro: não apenas seus escritos, mas seu existir. Sua estética era sua ética, ele as continha ambas no seu viver.
Era grande o que ele gerava nas vizinhanças do Caju, ao dar algo que ninguém pediu – sem querer ganhar nada com isso. Nos últimos tempos só acenando sorridente ao lado de sua obra física. Suavemente ele punha abaixo a lógica do mundo. Só sendo. E ser era tão subversivo que, na época da ditadura, chegaram a achar que Gentileza era comunista. Teve de dar explicações às autoridades sobre as iniciais PC do estandarte que então carregava pelas ruas: não, não, PC não era Partido Comunista, mas Pai Criador.
Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude. Ao conhecer alguns CEOs por aí, fico imaginando se no currículo deles está escrito: “Há 20 anos grita com quem está abaixo dele na hierarquia”. Ou: “Tem PhD por Harvard em humilhação dos subordinados”. Ou ainda: “Massacra os funcionários em inglês fluente, mas se for necessário pode xingar também em francês e mandarim”.
SAIBA MAIS
O conjunto de características que costuma cercar o poder é imediatamente incorporado pelos subordinados. Nessa lógica, há sempre alguém mais ferrado que podemos maltratar, a quem não precisamos beneficiar não com a nossa gentileza, porque gentileza não tem nada a ver com isso, mas a quem não precisamos beneficiar com a nossa bajulação. Canso de ver motoboys ser maltratados por recepcionistas de empresas chiques, enquanto me tratam bem porque numa rápida avaliação da minha roupa acreditam que talvez, quem sabe, posso ser alguém importante. Canso também de ser gentil e, por isso, ser tratada com rispidez, porque confundem minha gentileza com fraqueza. Recuso-me a embarcar nessa lógica que me obrigaria a falar alto e exalar arrogância para ser tratada com deferência. Prefiro falar com delicadeza e exalar apenas o meu perfume.
Acho que ser gentil não é nada prosaico, é um ato de resistência diante de uma vida determinada por valores calculáveis: só faço tal coisa se ganhar algo em troca, seja dinheiro ou um dos muitos pequenos poderes ou um ponto a mais com quem manda. A gentileza vira essa lógica do avesso: sou gentil sem esperar nada em troca. Sou gentil porque sou. Não porque tenho ou porque quero. Apenas sou. E, como sabemos, o ter – o consumir desenfreado – é aquele que vai tentar preencher o buraco aberto pela impossibilidade do ser.
Numa de suas internações porque alguém decidiu que ele era louco, Gentileza passava os dias com os outros internos ao redor, pregando sua gentileza. Até que um psiquiatra teria dito: “Gentileza, você veio aqui para nós te curarmos ou para você nos curar?”. Alguém que, como ele, havia se desfeito de todo o patrimônio para pregar a gentileza só poderia mesmo ser considerado louco nesse mundo. Mas, ainda bem, havia um médico que também era um pouco doido para devolver Gentileza às ruas.
Dia desses flagrei-me sendo indelicada com a moça do telemarketing. Me senti muito mal. É chato, todo mundo sabe. Ela também acha chato, tenho certeza, ter de falar como um robô horas a fio, dia após dia. É bem pior para ela do que para mim. Desde então, tenho me esforçado. Pouco antes de começar a escrever esse texto peguei a mim mesma respondendo secamente a uma assessora de imprensa que ligou, errando o meu nome (Elaine Blum) e perguntando se eu trabalhava com um tema que não tem nada a ver com o que faço. É verdade que não é legal errar o nome e a área das pessoas para quem queremos dar uma informação, mas também é óbvio que ela preferia acertar. Às vezes até nos convencemos que temos razão de sermos incivilizados, mas não temos. Se tínhamos alguma, a perdemos no momento em que agimos mal. E sempre há um jeito de dizer, mesmo coisas muito duras, sem arrasar quem nos escuta.
Tenho uma grande amiga que se apaixonou por um homem numa festa. Foi um dos poucos casos de amor ao primeiro gesto que testemunhei. Ela derrubou comida na roupa e ele imediatamente pegou um guardanapo para ajudá-la a se limpar. Logo depois, a encontrei no banheiro e ela me pegou pelo braço: “Vou casar com aquele cara”. E eu, chocada diante de alguém que era famosa por ser avessa a casamento: “Como assim?” E ela: “Ele é gentil”. Ele era – e é – um homem incrivelmente gentil. Estão juntos há sete anos, e o deles é um dos casamentos mais felizes que conheço. Minha amiga, que tinha alguns cantos bem abruptos, ganhou contornos mais arredondados: descobriu que também havia uma mulher gentil morando dentro dela.
Gentileza não é mesmo algo que temos, é mais algo que somos. E que nos tornamos. Talvez o verdadeiro poder esteja naquele que pode dar sem esperar nada em troca. Como Gentileza.
Assim como inventaram um dia sem carro, acho que podíamos criar um dia com gentileza. Não precisa ser uma campanha de massa, basta uma decisão interna, silenciosa, de cada um. Só para experimentar. Um dia só tentando ser gentil. Engolindo a palavra ríspida, calando a fofoca ainda no esôfago, olhando de verdade para as pessoas, escutando o que o outro tem a dizer, mesmo que não nos pareça tão interessante, sorrindo um pouco mais.
Pequenos gestos. Segurar o elevador, dar oi e dar tchau, não se atravessar na frente de ninguém nem sair correndo para ser o primeiro, ter paciência em vez de se irritar, elogiar um pouco mais, deixar passar o que não foi tão legal, mas também não foi tão grave e, quando a crítica for imprescindível, abusar da delicadeza. Um dia só, mesmo que seja apenas para experimentar algo diferente.
Quem sabe o que pode acontecer?
ELIANE BRUM
Li esse texto recentemente e achei o seu teor de extrema importância, apesar de ser um assunto tão desvalorizado em nossos dias de indelicadeza.
É extenso, mas vale muito a pena.
Para ler e meditar sobre o assunto.
Claudia Fernandes
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domingo, novembro 11, 2007
Piada?

Depois de uma hora, o ancião pára de rezar e quando se prepara para deixar o local, ela o aborda:
O senhor é a pessoa mais antiga que vem diariamente rezar aqui no muro. Há quanto tempo o senhor vem aqui para rezar?
- Nossa! 80 anos! E o senhor rezou pedindo o quê, nestes anos todos?
- Rezo pela Paz entre judeus, muçulmanos e cristãos, rezo para que o ódio pare e que nossos filhos cresçam juntos em Paz e Amizade.
- Sinto-me como se estivesse falando com a parede...
Definitivamente:
"Nunca haverá uma guerra boa ou uma paz má."
Benjamin Franklin
quinta-feira, novembro 01, 2007
Happy Hallow's eve!

Happy Halloween, folks...
Na falta de festas nacionais que as pessoas considerem interessantes e bacanas, importamos essa que não tem absolutamente nada a ver conosco, mas que festejamos como se sua origem fosse aqui...
Falo isso, porque sempre que chega essa época, reflito sobre esse fato.
Uma certa ocasião, meus alunos me pediram freneticamente que eu fizesse uma festinha de Halloween para comemorar. Eu fiz. Comprei abóboras, chapéus de bruxa, faquinha de mentira, velinhas roxas, etc...
Mas antes perguntei:
- Comemorar o quê, afinal?
- Ah, sei lá...
E eu retruquei:
- Em São João, vocês não tiveram esse mesmo interesse.
- Ah, São João é chato.
- Claro, claro... Legal é festa estrangeira. A nossa é chata.. Claro...
Logo após, eu ministrei uma aula mostrando a riqueza de nossas festas, folclore, etc... E o quanto nossas tradições e costumes podem ser muito bacanas.
Todo ano, esse pequeno diálogo me faz repensar essa festa e o porquê desse hype todo em torno de uma festa importada, sem nenhuma referência no nosso folclore...
Acabei fazendo a festa porque leciono Língua Inglesa e uma semana antes da festa sempre proponho algumas aulas sobre os fundamentos e as origens da comemoração que se baseiam nos costumes celtas e druidas( eles acreditavam na imortalidade da alma, a qual diziam se introduzia em outro indivíduo ao abandonar o corpo; mas em 31 de outubro voltava para seu antigo lar a pedir comida a seus moradores, que estavam obrigados a fazer provisão para ela.) e que não tem nenhuma similaridade com a festa atual, calcada apenas em negócios e lucros.
Mas para o povo brasileiro em geral, qual o sentido dessa festa?
Festa por festa?
Comemorar por comemorar??
Penso que seja um pouco de alienação, mas...
Cada cabeça é um mundo, não é?
Não sou contra a tradição, pelo contrário, e não cultivo nenhum sentimento anti-estrangeiro, só penso que deveríamos conhecer(o que não significa gostar, admirar) muito bem o que é nosso, para podermos assim importar qualquer coisa de fora. Sigamos esse exemplo deles primeiro.
Viva São João para quem é de São João...
Happy Halloween para quem é de halloween...
Claudia Fernandes
P.S. 1 - Helloween está grafado na foto com "e" numa alusão a uma banda de que gosto muito.

P.S. 2 - Leia sobre: www.acidigital.com/controversia/halloween.htm
P.S. 3 - O crime mais terrível que eu cometi no "Dia das Bruxas" e não vai de encontro aos ensinamentos dos Celtas e Druidas, os criadores da tradição do Halloween, é esse:

Mila no papel de Lady "recebi uma facada torta na cabeça"...
Ouça:
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terça-feira, outubro 16, 2007
Alma vazia

A carroça vazia
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia...
Perguntei:
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo alguém:
- falando demais;
- gritando (no sentido de intimidar);
- tratando o próximo com grossura inoportuna;
- prepotente;
- interrompendo a conversa de todo mundo;
- querendo demonstrar que é o dono da razão e da verdade absoluta...
Tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
"Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."
Para refletir...
Bjo.
terça-feira, agosto 28, 2007
Não sei porque, mas te odeio...

Um rapaz ia atravessando a rua, distraído, quando de repente, do outro lado, um homem aparentando ser mais velho que ele, pôs-se a gritar:
- Ei, você!
O rapaz respondeu surpreso:
- Eu?
E ele continuou:
- Sim, é você mesmo!
O rapaz sem saber do que se tratava, resolveu perguntar:
- Pois não?
E o homem já aos berros, dizia:
- Eu te odeio!
O rapaz começou a ficar preocupado:
- Por que, senhor? Eu lhe fiz algum mal?
O homem:
- Não!
O rapaz:
- Machuquei ou agredi algum familiar seu?
O homem:
- Não!
O rapaz foi ficando impaciente:
- Namorei alguém especial para o senhor?
O homem, nervosíssimo:
- Não!
O rapaz, sem saber nem mais o que perguntar:
- Concorremos à mesma vaga de emprego?
O homem com um grito estridente:
- Não!
O rapaz decidiu argumentar:
- Mas ninguém odeia à-toa... O senhor deve ter algum motivo para me odiar.
O homem já descontrolado:
- Eu te odeio... Eu te odeio! Isso não lhe basta?
O rapaz seguro, repetia:
- Claro que não. Preciso saber o motivo de tanto ódio.
Sem saber, o rapaz ia deixando o homem ainda mais exasperado:
- Não vou dizer!
E para tentar reverter a situação, o rapaz foi abaixando a voz, tentando deixar o homem mais calmo:
- Vamos lá... Diga. Que motivo o senhor tem para me odiar?
Foi então que, depois de tantas perguntas, o homem foi retornando de sua crise psicótica e chegou a uma estranha conclusão:
- É... Bem... Eu juro que até 15 minutos atrás eu tinha... Eu tinha! Mas esqueci!
O rapaz aproveitou e fez a pergunta que não queria calar:
- Sei... E agora, neste exato momento, o que o senhor sente por mim?
- Nada.
O rapaz já sem entender coisa alguma:
- Nada?
Ele repetia:
- É, nada.
O rapaz, num misto de espanto e alívio, exclamou:
- Então dá cá um abraço!
O homem devia comungar dos mesmos sentimentos, pois com uma cara de susto, respondeu:
- Um abraço? Tá.
O rapaz, agora já feliz por não ter sido assassinado, disse:
- E então? Amigos?
E o homem, com um sorriso nos lábios:
- Claro! Amigos...
O rapaz sentindo por aquele homem algo entre raiva do assassino e gratidão por estar vivo, esticou sua mão e falou:
- Toca aqui, amigão!
O homem, com o rosto tomado por um imenso sorriso, não disse nada, apenas apertou a sua mão com toda a força que tinha naquele momento e seguiu seu caminho...
Claudia Fernandes
Bjo.
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domingo, setembro 10, 2006
Amor até o fim...

Amor até o fim
Amor não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar
Amor não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar
O amor é como uma rosa num jardim
A gente cuida, a gente olha
A gente deixa o sol bater
Pra crescer, pra crescer
A rosa do amor tem sempre que crescer
A rosa do amor não vai despetalar
Pra quem cuida bem da rosa
Pra quem sabe cultivar
Amor não tem que se acabar
Até o fim da minha vida eu vou te amar
Eu sei que o amor não tem que se apagar
Até o fim da minha vida eu vou te amar
Gilberto Gil
Estava ouvindo essa música do Gil, quando concluí que, a cada dia que passa, fico mais convencida de que o amor é mesmo a melhor coisa da vida. Sou uma romântica incurável, extrema, no mais restrito sentido da palavra romântica, não esse do senso comum, claro.
Mas o meu ínfimo lado racional, que ainda se mantém, me grita que o amor também pode ser traiçoeiro.
Senão, vejamos:
Você sabe que está amando loucamente e acredita que o outro também está.
Dá-se a entrega, total, irrestrita, de corpo e alma.
O outro não consegue segurar a onda e prefere desistir desse amor.
Você sofre, chora...
Ele volta pedindo desculpas, dizendo que não dá para ficar sem você.
Você desculpa. Afinal, você ama...
Mais uma vez, você acredita que é amada também. E se sente feliz, segura.
Porque até agora tudo esteve bem. Carinho, palavras gentis, troca de elogios.
Novamente, o outro vê que a coisa está tomando uma proporção além do comum, o sentimento no peito dele está ficando insustentável, e desiste pela segunda vez.
Você sofre, chora, mas pensa: eu supero.
Ele volta pedindo desculpas, dizendo que só pensa em você e que prefere te ter da forma que for possível a não tê-la.
Você desculpa, afinal você ama, não é?
Uma terceira vez acontece.
Você sofre, mas não chora mais...
Ele pede desculpas. Você desculpa.
Mas será que você ainda ama mesmo?
Quem te garante que isso não voltará a acontecer?
Você analisa e pensa que ainda ama, que é amada, e que aquilo tudo aconteceu porque o outro estava inseguro por algum motivo, e acaba desculpando pela terceira vez.
Até pode ter tido a paciência, o amor, a generosidade de não pensar no quanto aqueles abandonos te machucaram, e delicadeza de perdoar não só uma, mas TRÊS vezes.
Porém, num momento em que tudo isso veio à mente e você ficou triste, e sem pensar, disse apenas que estava cansada da situação, só isso, sem querer, alimenta um dragão que termina por cuspir fogo de toda espécie em você.
Agressões, insultos, calúnias, tudo de mais terrível que uma pessoa pode ouvir logo da pessoa que acreditava amar.
Toda essa celeuma, quando na verdade uma palavra mais carinhosa já resolvesse.
A confusão se instala...
Será que ele é quem você pensava que fosse??
Será que não tem o equilíbrio de respirar, analisar a questão, e conversar como um adulto? Precisa partir para agressão? Mesmo?
Será que os momentos vividos não significaram absolutamente nada?
Sei lá, hoje, depois da barra pesada que passei e da qual ainda estou me recuperando, estou procurando ser zen, não me magoar com as coisas que vejo, nem que me dizem. Isto não é fácil, pelo contrário, é muito difícil para uma virginiana, de sangue italiano, acostumada a defender suas causas e idéias com unhas e dentes... Não é fácil, mas eu consigo. Percebi que isso faz de mim um ser muito melhor.
Mas depois disso tudo, fico a me perguntar se uma pessoa que passa por uma situação dessa, ainda pode acreditar no amor.
Aí vem de novo meu lado romântico extremo e diz:
Claro, porque o amor sempre vence...
Bjo.
Música: Amor até o fim do Gilberto Gil.
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Eu não quero ter razão... eu quero é ser Feliz!

Ser feliz???

"Eu não quero ter razão... eu quero é ser Feliz!"*
Uma vez li essa frase não sei onde e nunca mais esqueci...
Hoje sei que a felicidade passa bem longe de ter razão e que muitas vezes nos perdemos nessa busca por ter razão e por convencer ao outro de que estamos certos...
Se sabemos usar bem o monte de palavras disponíveis somos mesmo capazes de convencer ao outro de que temos razão e pode ser que isso nos dê até um sentimento de ter ganho alguma coisa. Mas nunca a felicidade. Se ao provar que temos razão estamos defendendo um ponto de vista fixo pra fugir de buscar em um nível mais profundo o porquê de estarmos passando por aquilo.
Muitas vezes essa razão que só se baseia em um jogo de palavras na verdade está tentando esconder um medo grande que temos de entrar em contato com aquilo que verdadeiramente somos.
Quantas pessoas eu vejo se relacionando em um nível tão superficial que ficam o tempo todo procurando provar que têm razão como se isso garantisse a felicidade e perdem um tempo enorme e muita energia nesse nível ao invés de buscar dentro delas os motivos que estão gerando aquele possível conflito.
Quando nossas palavras são baseadas em um sentimento verdadeiro elas ganham uma força que nem precisamos de muitas pra que as pessoas sintam nossa intenção.
Sempre podemos escolher em que nível vamos nos relacionar com o outro - que na verdade está refletindo o nível em que temos coragem de nos relacionar com a gente mesmo.
Se vamos ficar no nível de ter razão ou no nível de ser feliz.
Se escolhermos o nível de ser feliz, vamos ter que correr o risco de nos mostrarmos por inteiro e vamos usar aquelas oportunidades onde antes buscávamos provar que tínhamos razão para olhar pra dentro e buscar nas nossas cavernas mais profundas o porquê de estarmos passando por aquilo e o que podemos fazer.
Esse fazer não implica em mudar o outro, só o outro que está dentro de você porque na verdade o outro está só espelhando uma parte sua que você não consegue enxergar e que às vezes passa tempos teimando que não tem aquilo.
Ao sair da atitude de defender um ponto de vista fixo e nos permitirmos ir além de ter razão, vamos enfim encontrar uma riqueza infinita de possibilidades de nos conhecermos naquilo que procuramos esconder.
É muito mágico você deixar de lado o ter razão pra buscar dentro de você as causas que geram aquele conflito e nessa busca você encontra muito mais do que o gosto amargo da vitória que pode conseguir por defender pontos de vista fixos.
Você encontra você mesmo em nuances tão interessantes e expressivas que essas partes que você conquista de você fazem com que tudo mude ao seu redor e a partir daí você vê que não precisa ter razão, porque você tem certeza que pode ser feliz sem precisar provar nada pra ninguém, só sendo o que você é.
Seja Feliz Sempre!
Rubia A. Dantés
Esse texto parece ter sido feito para a ocasião atual.
Quando li, achei que estava sonhando, ou que era alguma brincadeira, sei lá...
É tão perfeito, se encaixa tão bem, que nem pude acreditar.
O texto é simplesmente perfeito.
Reflete tudo que estou sentindo hoje e agora.
Bjo.
Claudia Pinelli Rêgo Fernandes®
* Em tempo, essa frase é do escritor Ferreira Gullar.
Música: Ice do Camel.
sexta-feira, junho 11, 2004
Rosa vermelha

Uma rosa para a paz by Jorge Jacinto

Uma Linda História de Amor
John Blanchard levantou do banco, endireitando a jaqueta de seu uniforme e observou as pessoas fazendo seu caminho através da Grand Central Station. Ele procurou pela garota cujo coração ele conhecia mas o rosto não; a garota com a rosa. Seu interesse por ela havia começado trinta meses antes, numa livraria da Flórida.
Tirando um livro da prateleira, ele se pegou intrigado, não com as palavras do livro, mas com as notas feitas a lápis nas margens. A escrita suave refletia uma alma profunda e uma mente cheia de brilho. Na frente do livro, ele descobriu o nome do primeiro proprietário: Srta. Hollis Maynell.
Com tempo e esforço ele localizou seu endereço. Ela vivia em New York City. Ele escreveu a ela uma carta, apresentando-se e convidando-a a corresponder-se com ele. Na semana seguinte ele embarcou num navio para servir na II Guerra Mundial.
Durante o ano seguinte, mês a mês eles desenvolveram o conhecimento um do outro através de suas cartas. Cada carta era uma semente caindo num coração fértil. Um romance de companheirismo.
Blanchard pediu uma fotografia, mas ela recusou. Ela queria que ele realmente se importasse com ela, não importando como ela era, ou sua aparência.
Quando finalmente chegou o dia em que ele retornou da Europa, eles marcaram seu primeiro encontro - 7:00 da noite na Grand Central Station em New York.
"Você me reconhecerá", ela escreveu, "pela rosa vermelha que estarei usando na lapela".
Então, às 7:00 ele estava na estação, procurando por uma garota cujo coração ele amava, mas cuja face ele nunca havia visto. Vou deixar o Sr.Blanchard dizer-lhe o que aconteceu:
"Uma jovem aproximou-se de mim. Sua figura era alta e magra. Seus cabelos loiros caíam delicadamente sobre os seus ombros, seus olhos eram verdes como água. Sua boca era pequena e seus lábios carnudos, e seu queixo tinha uma firmeza delicada. Seu traje verde pálido era como se a primavera tivesse chegado.
Eu me dirigi a ela, inteiramente esquecido de perceber que ela não estava usando uma rosa. Como eu me movi em sua direção, um pequeno, provocativo sorriso, curvou seus lábios. "Indo para o mesmo lugar que eu marinheiro?", ela murmurou.
Quase incontrolavelmente dei um passo pra junto dela, e então eu vi Hollis Maynell. Ela estava parada quase que exatamente atrás da garota. Uma mulher já passada dos 50 anos, ela tinha seus cabelos grisalhos enrolados num coque sobre um chapéu gasto.
Ela era mais que gorducha, seus pés compactos confiavam em sapatos de saltos baixos. A garota de verde seguiu seu caminho rapidamente. Eu me senti como se tivesse sido dividido em dois, tão forte era meu desejo de segui-la e tão profunda era o desejo por aquela mulher cujo espírito verdadeiramente me acompanhara e me sustentara através de todos as minhas atribulações.
E então ela parou. Sua face pálida e gorducha era delicada e sensível, seus olhos cinzas tinham um calor e simpatia cintilantes. Eu não hesitei. Meus dedos seguraram a pequena e gasta capa de couro azul do livro que a identificou para mim. Isto podia não ser amor, mas poderia ser algo precioso, talvez mais que amor, uma amizade pela qual eu seria para sempre cheio de gratidão.
Eu inclinei meus ombros, cumprimentei-a mostrando o livro para ela, ainda pensando, enquanto falava, na amargura do meu desapontamento. "Sou o Tenente John Blanchard, e você deve ser a Srta. Maynell. Estou muito feliz que tenha podido me encontrar, posso lhe oferecer um jantar?"
O rosto da mulher abriu-se num tolerante sorriso. "Eu não sei o que está acontecendo", ela respondeu, "aquela jovem de vestido verde que acabou de passar me pediu para colocar esta rosa no casaco. E ela disse que se você me convidasse pra jantar, eu deveria lhe dizer que ela está esperando por você no restaurante de esquina. E ela disse que isso era um tipo de "TESTE"!
Não parece difícil, pra mim, compreender e admirar a sabedoria da Srta. Maynell.
A verdadeira natureza do coração de uma pessoa é vista na maneira como ela responde ao que não é atraente!!
Esse texto é muito lindo.
Bjo.
Música : True love do Ty Tabor.
Minha família
My kind of Spirit...
You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.

