
Preta

A atrocidade cometida contra uma cadela prenhe em Pelotas, no último dia 9 de março, está mobilizando milhares de pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo.
Ela foi arrastada por cinco quadras no centro de Pelotas. Segundo testemunhas, três jovens a amarraram em um pára-choque de carro e a arrastaram até a sua morte e de seus filhotes.
Pedaços dos animais ficaram espalhados pelo caminho.
Foi realizada uma petição on-line denominada: "Preta clama por Justiça", onde as pessoas que se opõem contra o crime estão se unindo para que os culpados sejam punidos. Até agora, 9.700 assinaturas já foram recolhidas.
Eu peço que faça sua parte, assinando aqui:
http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?CF060375
Depois de ficar estarrecida e indignada com mais esse fato abominável cometido por um ser dito "racional", um trecho de um filme não saía de minha cabeça.
No Matrix original, o agente Smith fala algo que é a mais pura realidade:
"A humanidade é um cancêr! "
Ele tem razão...
Eis as palavras exatas:
"I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species. I realized that you're not actually mammals.
Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment, but you humans do not.
You move to an area, and you multiply, and multiply, until every natural resource is consumed. The only way you can survive is to spread to another area.
There is another organism on this planet that follows the same pattern. A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet, you are a plague, and we are the cure."
Agente Smith, Matrix
Acho que o Agente Smith nunca teve tanta razão...
Bjo.
Música: Comfortably Numb do Pink Floyd.
Atualização cinco anos depois! :
A história de um massacre ganhou uma rara e exemplar punição na Justiça gaúcha. Em votação unânime, três desembargadores da 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJ) condenaram um dos autores do assassinato da cadela Preta – amarrada a um carro e arrastada até a morte em Pelotas, há cinco anos – a indenizar a comunidade por danos morais coletivos.
O acórdão estabelece que Alberto Conceição da Cunha Neto terá de pagar R$ 6 mil, revertidos como doação para o canil municipal pelotense.
A decisão é rara por dois motivos. O primeiro é que o trio de desembargadores votou da mesma forma, num consenso que não costuma ser usual. Com isso, não cabe recurso à sentença no TJ e, se quiser recorrer, o advogado de defesa do condenado deverá apelar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
A segunda excepcionalidade é que o “dano moral coletivo” reconhecido na condenação é uma novidade poucas vezes vista na história do Judiciário brasileiro. O STJ costuma
negar a existência de “dano moral coletivo”.
Os desembargadores gaúchos foram na contramão dessa tendência. Cunha Neto tinha sido absolvido em primeira instância, em Pelotas, pela juíza Gabriela Irigon Pereira. Na sentença, ela considerou que o jovem já havia sido punido criminalmente, em outro processo (em 2007, foi sentenciado a um ano de detenção pelo crime, em regime aberto). Além disso, o rapaz – estudante da Universidade Católica de Pelotas – foi suspenso das aulas na faculdade, se mudou de município e teve uma parente dele agredida dentro do fórum daquela cidade, por pessoas indignadas com a morte do
animal.
Os desembargadores levaram ontem 20 minutos para decidir. Numa sessão assistida apenas por três estudantes de Direito, o desembargador Armínio da Rosa lembrou que a cadela foi “desintegrada” ao ser arrastada por cinco quadras, “com pessoas assistindo”.
O desembargador José Francisco Moesch afirmou que a cadela Preta era estimada em Pelotas e sua morte, “por pura diversão”, gerou incredulidade e repulsa. A posição final veio do desembargador Genaro Baroni Borges, para quem a reparação financeira ajuda a “apagar a afronta a valores muito caros da comunidade pelotense”.
O defensor de Cunha Neto, Henrique Boabaid, não compareceu à sessão e não foi localizado por Zero Hora. Os outros dois jovens que participaram do massacre não foram processados porque se dispuseram a doar R$ 5 mil, cada, ao canil municipal de
Pelotas.
Humberto Trezzi - Zero Hora
A pena, como todas as penas de punição no Brasil, foi branda. Mas quem sabe sirva de exemplo a tantos outros casos de crimes tão cruéis quanto este caso.
De qualquer forma, abriu um precedente histórico na defesa animal.
Bjo.
Claudia Pinelli.