Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia. Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia. Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.

Claudia Fernandes



Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Um Trem para Lisboa.




Tudo começa numa manhã chuvosa.

Uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte de Berna.

Raimund Gregorius, um banal professor de grego e latim de 57 anos, evita o ato desesperado e fica surpreendido com o som de uma palavra. "Português", responde ela, ao ser questionada sobre a língua que fala. Antes de desaparecer da história ainda tem tempo de escrever um número de telefone na testa deste míope professor que descobre, por acaso, um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado Um Ourives das Palavras. Sem conseguir explicar o porquê, entra num comboio para Lisboa...

O que mais surpreende nesta obra é a transcrição de extratos completos de um outro livro dentro da mesma obra. O autor seria Amadeu Inácio de Almeida Prado, e o livro "Um Ourives das Palavras", que Gregorius descobre numa livraria e vai traduzindo à medida que vai aprendendo português. Esta história não só consiste em reflexões sobre o sentido da vida e da morte, como provoca uma vontade imensa de descobrir quem é este Amadeu de Prado.

Inocentemente estava eu convencida de que existia um tal Amadeu de Prado, o que me levou de imediato a pesquisar durante algum (muito) tempo na internet, procurando esta obra "Um ourives das palavras" ou procurando um tal de "Amadeu de Prado". A verdade é que não existe nem a obra nem o autor Amadeu de Prado.

Pois é, o livro é pura ficção. Mas da melhor qualidade. Recomendo.

Foi lançado originalmente em Alemão, traduzido em Francês, em Espanhol e Inglês. Li em Inglês, mas estou esperando uma boa tradução para o Português, pois quem já leu a atual, achou muito fraca.




Bjo.



Claudia.











“Cada um de nós é vários, é muitos,

é uma prolixidade de si mesmos.

Por isso aquele que despreza o ambiente

não é o mesmo que dele se alegra ou padece.

Na vasta colônia do nosso ser

há gente de muitas espécies,

pensando e sentindo diferentemente.”

Fernando Pessoa



Livro do Desassossego











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1 comentários:

José Alberto Farias disse...

Somos, sim, complexos. Às vezes, perplexos.