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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.

Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.

Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.




Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®



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sexta-feira, janeiro 17, 2014

Qual o caminho?





O que eu penso, o que ele pensa ou o que você pensa sobre um assunto, isoladamente, não tem tanta importância assim.

Se eu pensar aqui, ele ali, e você aí, nossos pensamentos serão apenas meras abstrações, e não sairão da esfera intelectual.

Agora, se as ideias forem levadas para um debate, franco, organizado e respeitoso, com a finalidade de procurar caminhos para o problema central identificado, então passaremos do intelectual para o prático, e dessa forma, deixamos o abstrato e fincamos os pés no concreto, indo na direção de uma pacífica mediação de conflitos. 

Importante mesmo é esse debate entre os variados pensamentos, com respeito e civilidade entre os pensantes, para que, ao se tocar em questões consideradas melindrosas ou problemáticas, seja possível avaliar os fatos, descobrir intenções, discutir possibilidades, argumentar sobre o que não está tão óbvio e dialogar sobre os diferentes pontos de vista, de maneira racional e clara, sem rótulos ou preconceitos de qualquer espécie, para que assim, seja viável encontrar um caminho mais eficiente para uma razoável solução do assunto.

No dia em que começarmos a discutir, mesmo levando em alta consideração as nossas convicções pessoais (o que é algo natural, pois é muito difícil encontrar essa tal imparcialidade), somente os fatos e as ideias e pararmos de discutir pessoas, os diálogos serão muito mais ricos e proveitosos.

Quem sabe um dia?



Bjo,



Claudinha.

quinta-feira, novembro 03, 2011

ANÁLISE SOCRÁTICA DOS TEMPOS ATUAIS




Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom; então, de manhã, você pode brincar, dormir até mais tarde". "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.


Fiquei pensando: "Que pena", a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!" Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.


Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.


Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha uma maravilha, não tinha uma celulite!"


Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.


Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!"


O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.


Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.


Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping Center.


É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...


Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.


Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...


Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...


Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:"- "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"


Frei Betto






Perfeito!





Bjo,






Claudinha.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Da minha precoce nostalgia


Da minha precoce nostalgia

Por Maria Sanz Martins



Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:

- Querida, venha cá... Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar. E assim, dizer apontando o indicador para o alto:

- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.

Por isso, vou colocar mais ou menos assim:

É preciso coragem para ser feliz. Seja valente. Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão. E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você. Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."

Tenha uma vida rica de vida. Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível. Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários. Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco! Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.

Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim. Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão. Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.

Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?






Faço das palavras da autora as minhas.

E tenho dito.

Claudia Fernandes.






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terça-feira, novembro 11, 2008

Onde você colocou o sal?



ONDE VOCÊ COLOCOU O SAL?


O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.

- Ruim - disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse:

- Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:

- Qual é o gosto?

- Bom! - disse o rapaz.

- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.

- Não - disse o jovem.

O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:

- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.

Em outras palavras:

É deixar de ser copo, para tornar-se um lago.



Este texto é de uma sabedoria ímpar. E é exatamente o que eu precisava ler nesse momento. Para mim, serviu como uma aula salutar.


Bjo.







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quinta-feira, dezembro 06, 2007

Uma piadinha para relaxar...


PECADO É PECADO...



Um paulista, trabalhando pesado, suado, terno e gravata, vê um baiano deitado numa rede, na maior folga.


O paulista não resiste e diz:


- Você sabia que a preguiça é um dos sete pecados capitais?


E o baiano, sem nem se mexer, responde:


- A inveja também!!!




E eu digo: estamos quites... Hehehe...





"A vida tem a cor que você pinta."

Mário Bonatti







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quinta-feira, novembro 01, 2007

Happy Hallow's eve!



Happy Halloween, folks...

Na falta de festas nacionais que as pessoas considerem interessantes e bacanas, importamos essa que não tem absolutamente nada a ver conosco, mas que festejamos como se sua origem fosse aqui...

Falo isso, porque sempre que chega essa época, reflito sobre esse fato.

Uma certa ocasião, meus alunos me pediram freneticamente que eu fizesse uma festinha de Halloween para comemorar. Eu fiz. Comprei abóboras, chapéus de bruxa, faquinha de mentira, velinhas roxas, etc...

Mas antes perguntei:
- Comemorar o quê, afinal?
- Ah, sei lá...
E eu retruquei:
- Em São João, vocês não tiveram esse mesmo interesse.
- Ah, São João é chato.
- Claro, claro... Legal é festa estrangeira. A nossa é chata.. Claro...

Logo após, eu ministrei uma aula mostrando a riqueza de nossas festas, folclore, etc... E o quanto nossas tradições e costumes podem ser muito bacanas.

Todo ano, esse pequeno diálogo me faz repensar essa festa e o porquê desse hype todo em torno de uma festa importada, sem nenhuma referência no nosso folclore...

Acabei fazendo a festa porque leciono Língua Inglesa e uma semana antes da festa sempre proponho algumas aulas sobre os fundamentos e as origens da comemoração que se baseiam nos costumes celtas e druidas( eles acreditavam na imortalidade da alma, a qual diziam se introduzia em outro indivíduo ao abandonar o corpo; mas em 31 de outubro voltava para seu antigo lar a pedir comida a seus moradores, que estavam obrigados a fazer provisão para ela.) e que não tem nenhuma similaridade com a festa atual, calcada apenas em negócios e lucros.

Mas para o povo brasileiro em geral, qual o sentido dessa festa?
Festa por festa?
Comemorar por comemorar??
Penso que seja um pouco de alienação, mas...
Cada cabeça é um mundo, não é?

Não sou contra a tradição, pelo contrário, e não cultivo nenhum sentimento anti-estrangeiro, só penso que deveríamos conhecer(o que não significa gostar, admirar) muito bem o que é nosso, para podermos assim importar qualquer coisa de fora. Sigamos esse exemplo deles primeiro.

Viva São João para quem é de São João...

Happy Halloween para quem é de halloween...



Claudia Fernandes




P.S. 1 - Helloween está grafado na foto com "e" numa alusão a uma banda de que gosto muito.





P.S. 2 - Leia sobre: www.acidigital.com/controversia/halloween.htm


P.S. 3 - O crime mais terrível que eu cometi no "Dia das Bruxas" e não vai de encontro aos ensinamentos dos Celtas e Druidas, os criadores da tradição do Halloween, é esse:



Mila no papel de Lady "recebi uma facada torta na cabeça"...


Ouça:






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terça-feira, outubro 16, 2007

Alma vazia



A carroça vazia

Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.

Ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia...

Perguntei:

- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.

Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.


Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo alguém:

- falando demais;

- gritando (no sentido de intimidar);

- tratando o próximo com grossura inoportuna;

- prepotente;

- interrompendo a conversa de todo mundo;

- querendo demonstrar que é o dono da razão e da verdade absoluta...




Tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:


"Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."




Para refletir...



Bjo.


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terça-feira, agosto 28, 2007

Não sei porque, mas te odeio...



Um rapaz ia atravessando a rua, distraído, quando de repente, do outro lado, um homem aparentando ser mais velho que ele, pôs-se a gritar:
- Ei, você!
O rapaz respondeu surpreso:
- Eu?
E ele continuou:
- Sim, é você mesmo!
O rapaz sem saber do que se tratava, resolveu perguntar:
- Pois não?
E o homem já aos berros, dizia:
- Eu te odeio!
O rapaz começou a ficar preocupado:
- Por que, senhor? Eu lhe fiz algum mal?
O homem:
- Não!
O rapaz:
- Machuquei ou agredi algum familiar seu?
O homem:
- Não!
O rapaz foi ficando impaciente:
- Namorei alguém especial para o senhor?
O homem, nervosíssimo:
- Não!
O rapaz, sem saber nem mais o que perguntar:
- Concorremos à mesma vaga de emprego?
O homem com um grito estridente:
- Não!
O rapaz decidiu argumentar:
- Mas ninguém odeia à-toa... O senhor deve ter algum motivo para me odiar.
O homem já descontrolado:
- Eu te odeio... Eu te odeio! Isso não lhe basta?
O rapaz seguro, repetia:
- Claro que não. Preciso saber o motivo de tanto ódio.
Sem saber, o rapaz ia deixando o homem ainda mais exasperado:
- Não vou dizer!
E para tentar reverter a situação, o rapaz foi abaixando a voz, tentando deixar o homem mais calmo:
- Vamos lá... Diga. Que motivo o senhor tem para me odiar?
Foi então que, depois de tantas perguntas, o homem foi retornando de sua crise psicótica e chegou a uma estranha conclusão:
- É... Bem... Eu juro que até 15 minutos atrás eu tinha... Eu tinha! Mas esqueci!
O rapaz aproveitou e fez a pergunta que não queria calar:
- Sei... E agora, neste exato momento, o que o senhor sente por mim?
- Nada.
O rapaz já sem entender coisa alguma:
- Nada?
Ele repetia:
- É, nada.
O rapaz, num misto de espanto e alívio, exclamou:
- Então dá cá um abraço!
O homem devia comungar dos mesmos sentimentos, pois com uma cara de susto, respondeu:
- Um abraço? Tá.
O rapaz, agora já feliz por não ter sido assassinado, disse:
- E então? Amigos?
E o homem, com um sorriso nos lábios:
- Claro! Amigos...
O rapaz sentindo por aquele homem algo entre raiva do assassino e gratidão por estar vivo, esticou sua mão e falou:
- Toca aqui, amigão!
O homem, com o rosto tomado por um imenso sorriso, não disse nada, apenas apertou a sua mão com toda a força que tinha naquele momento e seguiu seu caminho...



Claudia Fernandes



Bjo.



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Minha família

My kind of Spirit...


You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.