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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.

Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.

Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.




Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®



terça-feira, agosto 28, 2007

Não sei porque, mas te odeio...



Um rapaz ia atravessando a rua, distraído, quando de repente, do outro lado, um homem aparentando ser mais velho que ele, pôs-se a gritar:
- Ei, você!
O rapaz respondeu surpreso:
- Eu?
E ele continuou:
- Sim, é você mesmo!
O rapaz sem saber do que se tratava, resolveu perguntar:
- Pois não?
E o homem já aos berros, dizia:
- Eu te odeio!
O rapaz começou a ficar preocupado:
- Por que, senhor? Eu lhe fiz algum mal?
O homem:
- Não!
O rapaz:
- Machuquei ou agredi algum familiar seu?
O homem:
- Não!
O rapaz foi ficando impaciente:
- Namorei alguém especial para o senhor?
O homem, nervosíssimo:
- Não!
O rapaz, sem saber nem mais o que perguntar:
- Concorremos à mesma vaga de emprego?
O homem com um grito estridente:
- Não!
O rapaz decidiu argumentar:
- Mas ninguém odeia à-toa... O senhor deve ter algum motivo para me odiar.
O homem já descontrolado:
- Eu te odeio... Eu te odeio! Isso não lhe basta?
O rapaz seguro, repetia:
- Claro que não. Preciso saber o motivo de tanto ódio.
Sem saber, o rapaz ia deixando o homem ainda mais exasperado:
- Não vou dizer!
E para tentar reverter a situação, o rapaz foi abaixando a voz, tentando deixar o homem mais calmo:
- Vamos lá... Diga. Que motivo o senhor tem para me odiar?
Foi então que, depois de tantas perguntas, o homem foi retornando de sua crise psicótica e chegou a uma estranha conclusão:
- É... Bem... Eu juro que até 15 minutos atrás eu tinha... Eu tinha! Mas esqueci!
O rapaz aproveitou e fez a pergunta que não queria calar:
- Sei... E agora, neste exato momento, o que o senhor sente por mim?
- Nada.
O rapaz já sem entender coisa alguma:
- Nada?
Ele repetia:
- É, nada.
O rapaz, num misto de espanto e alívio, exclamou:
- Então dá cá um abraço!
O homem devia comungar dos mesmos sentimentos, pois com uma cara de susto, respondeu:
- Um abraço? Tá.
O rapaz, agora já feliz por não ter sido assassinado, disse:
- E então? Amigos?
E o homem, com um sorriso nos lábios:
- Claro! Amigos...
O rapaz sentindo por aquele homem algo entre raiva do assassino e gratidão por estar vivo, esticou sua mão e falou:
- Toca aqui, amigão!
O homem, com o rosto tomado por um imenso sorriso, não disse nada, apenas apertou a sua mão com toda a força que tinha naquele momento e seguiu seu caminho...



Claudia Fernandes



Bjo.



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3 comentários:

Sir Lurch disse...

Nossa e vc ainda diz q as minhas poesias é q são lisérgicas? hehehe! Boa essa história desconexa! Um verdadeiro sonolóquio! Não entendi quando vc disse: "Verdade..
Já li isso em algum lugar..
E me serviu muito" Vc estava se referindo a q? Quanto a poesia da Dama do Vestido de Seda, ela se refere a uma garota usuária de drogas msm, a idéia foi essa e os termos q eu uso lá têm duplo sentido. É isso aí! Continue escrevendo! Bjos! ;)

Sir Lurch disse...

Hum... É possível q exista algo parecido com o q eu escrevi por dois motivos: 1) tudo o q leio e vejo por aí acaba me influenciando de alguma forma, daí pode ser q tb tenha visto alguns textos q me levaram a escrever dessa forma e q ficaram guardados na minha mente até este momento. 2) Os seres humanos são muito parecidos às vezes no q se refere a determinados aspectos da vida... há temas em comum q despertam emoções na maioria das pessoas (por isso vc ter falado q o texto te serviu) Então num determinado tempo e cultura esses aspectos podem emergir de forma muito parecida em pessoas q nem se conhecem, fazendo com q estas produzam obras semelhantes (não idênticas). É a isso q nós da psicologia chamamos de inconsciente coletivo: conteúdos mentais primitivos comuns dentro de uma mesma população ou até a humanidade inteira. Interessante né? Mas q bom q vc tá gostando dos meus textos! Eu tb curto muito os seus! Eu acho o seu estilo de escrever poesias bem parecido com o meu, bem subjetivo e de palavras carregadas de sentido. Vc é uma poeta de olhos brancos, pq escreve olhando para dentro de si mesma... Eu acho isso muito legal! Bom, como eu falei: continue escrevendo q eu continuarei lendo! Bjos e até!

Tuca disse...

Situações tão estúpidas e surreais mas tão presentes em nosso cotidiano, não é mesmo!? hehehe

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My kind of Spirit...


You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.