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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.

Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.

Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.




Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®



quarta-feira, dezembro 07, 2005

Sim à Nossa Essência Infantil..


Posted by Picasa

A depressão, comenta-se, é a doença do século.

Ouve-se falar em estresse, desmotivação para a vida, desalento. Qual será o motivo de tanto desânimo?

Alguns apontam as tragédias naturais que arrasam populações, as guerras constantes, a inflação, como responsáveis primordiais.

Outros falam na esperança que viajou para lugares ignotos, com passagem única.

No entanto, é bem verdade que pessoas que sobrevivem a dores acerbas, a problemas graves, não são as que se apresentam mais acabrunhadas.

Por que vivemos, então, sem motivação?

Quando crianças, somos naturalmente entusiastas.

Quem não se recorda que tudo nos encantava?

Quando aprendemos a falar, não parávamos de conversar. No ônibus, na rua, no carro, em casa.

Um contínuo "tatibitati".

"Olha, mãe! Que lindo!" "Mãe, mãe, olha o cavalinho!" "Hei, pai! Você viu que carrão legal? Você viu, pai?"

Quase sempre, o silêncio era a resposta. Adultos andam sempre pensativos. Têm muitos problemas.

E de tanto falar, sem resposta, fomos absorvendo a idéia de que adultos são pessoas sérias, com muitas dificuldades a resolver.

Nada mais natural que tenhamos assumido essa postura, ao nos tornarmos adultos.

Mas quando crianças, olhávamos o mar imenso, as ondas gigantes, a areia interminável, a bola.

Corríamos pela praia, incansáveis.

"Vem, pai, vamos buscar água com meu baldinho." "Pai, entra na água comigo?" "Pai, você me carrega?"

A resposta quase sempre era:

"Dá pra dar um tempo? Pode me deixar em paz um momento?" "Dá pra parar?"

E fomos assimilando a idéia de que pessoas adultas são pessoas cansadas.

Quando crescemos, tomamos a postura do cansaço das coisas, do desencanto pela natureza, pelo que nos cerca.

Cadê o encanto do mar barulhento? Cadê a graça de mergulhar nas ondas, de fazer esculturas na areia, de jogar bola?

Um dia, descobrimos o mundo mágico das letras. Essa bolinha, com um ganchinho para o lado, mais essa outra com três perninhas, mais... Dava amor.

Começamos a escrever amor no livro de receitas da mamãe, no bloco de anotações do papai, na agenda telefônica.

"Pare de rabiscar, menino!"

Percebemos então que os adultos não costumam escrever coisas bonitas quando as descobrem. Sentimentos são para serem armazenados. Não expostos.

Mergulhamos no mundo da leitura. Viagens fantásticas, aventuras mil.

"Compra, pai. Olha! É o livro novo!"

"Você está louco, menino? Viu o preço? Vê lá se vou pagar tudo isso por um livro! Há coisas mais importantes."

Pois é, ler também não era uma boa coisa.

Com tudo isso, não é de admirar que sejamos tão depressivos!

Nosso entusiasmo foi sendo bombardeado, a pouco e pouco.

Demonstrar alegria, partilhar conquistas, gritar de entusiasmo, escrever bilhetes de amor, viajar nas letras, tudo perdeu a magia. Vivemos num mundo de negócios, trabalho, obrigações.

Quem tem tempo para coisas pueris, sem importância?

A propósito, você tem filhos? Sobrinhos? Netos? Pense nisso com carinho, porque o amanhã ainda tem jeito. Depende de nós.

Bjo.

Música: Heart Of Stone com o Joe Louis Walker.

Um comentário:

Monica disse...

Lindo texto, Cláudia. Me emocionou bastante. Porque parei para pensar em como estou. Estou sentindo exatamente isso, sou meio essa criança aí, que foi abortando o entusiasmo. E a quando desato a ter esperança, sou tão criticada, sou chamada de ingênua, de hippie, coisas do gênero. E eu sem entusiasmo sou uma velha depressiva e mal humorada.
Ando assim estressada, triste, cansada...
Com saudades da minha criança, que agora está a naufragar dentro de mim.

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Minha família

My kind of Spirit...


You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.