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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.

Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.

Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.




Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®



quarta-feira, agosto 16, 2006

Jesus no Xadrez...



Jesus no xadrez...

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzaram a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei era no braço
Do jagunço pau mandado do Coroné invasor
Dava-se no interior esse caso inusitado

Quando Palmeiras das Antas
Pertencia ao Capitão Justino Bento da Cruz
Nunca faltou diversão
Vaquejada cantoria
Procissão e romaria
Sexta Feira da Paixão

Na Quinta Feira Maior Dona Maria das Dores,
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do Capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus, um Caifás e um Pilatos
Só não mudavam a cruz, os verdurios e os maltratos
O Cristo daquele ano foi o Quincas Beija-Flor
Caifás foi Sipriano, Pilatos foi Nicanor

Duas cordas paralelas separavam a multidão
Para que pudesse entre elas caminhar a procissão
Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi advertia
O centurião perverso
Que com força lhe batia
Era prá bater maneiro,
Bastião num entendia
Devido um grande pifão
Que tomou naquele dia
Dum vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia: Ô rapaz, vê se bate devagar,
Já tô todo encalombado,
Assim não vou aguentar!
Tá com a gota pra doer,
Ou tu pára de bater ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruz fora, tô ficando aperreado
Vou morrer antes da hora
De ficar crucificado!

O pior é que o malvado fingia que não ouvia
E além de bater com força ainda se divertia
Espiava prá Jesus, fazia pouco e dizia:
Que Cristo frouxo é você,
Que chora na procissão
Jesus pelo que se sabe
Não era mole assim não.

Eu tô batendo com pena
Você vai ver o que é bom
Na subida da ladeira da feira de Fenelon
O couro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se um grito na multidão
Era Quincas, que com raiva, sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco prá cima de Bastião
Se travaram no tabefe, Pontapé e cabeçada,
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifás
Que até hoje não faz nem sente gosto de nada
Desmancharam a procissão,
O cacete foi pesado
São Tomé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocoróto
Na careca de Timóteo
Que inté hoje é aluado

Inté mesmo São José
Que não é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Prá dar um monte de tapa
Na cara do Paul ladrão

A briga só terminou
Quando o doutor delegado
Interviu e separou
Cada santo pro seu lado
Desde que o mundo se fez
Foi essa a primeira vez
Que Jesus foi pro Xadrez
Mas num foi crucificado...

Chico Pedrosa.



Esse é um dos "causos" mais engraçados que eu já ouvi.. A minha dica é para quem quiser "ouvir" mesmo, não apenas ler esse cordel, procure a versão do Cordel do Fogo Encantado. Está muito boa e o Lirinha é um excelente contador de causos... Vale a pena...

Bjo.


Música: Hoje não é música, é poesia: Jesus no Xadrez com o Cordel do Fogo Encantado.

6 comentários:

Gianote Araujo disse...

Olá, Claudia. "Jesus no Xadrez" é de autoria de Chico Pedrosa, um conterrâneo porreta de Lirinha.

ps. Arco Verde é mesmo terra de gente boa.

Claudia disse...

Muito obrigada pela resposta, Gianote...
Um bjo p vc..

Anônimo disse...

Minha querida,
fartei-me de rir!

Também já estava com saudades!

Tenho estado sem acesso fácil à net...

Beijos,
Miguel

Rafael disse...

eu fui num show do cordel ha muitos anos passados...
entre em meu blog. Comente! Ha um download em cada post.

Rafael disse...

este post tah tao legal q passei p muitas pessoas o endereço de seu blog

Gianote disse...

Olá. Tive o fds bucólico. Acabei de chegar e seu blog foi a primeira coisa que me ocorreu.

So, so you think you can tell
Heaven from Hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
And hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish
How I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

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My kind of Spirit...


You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.