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Comecei a escrever no momento em que percebi que só pensar não mais me satisfazia.

Precisava transbordar todo aquele pensamento que só ao meu universo de idéias pertencia.

Hoje, escrevo por pura necessidade, por irresistível vício e por agradável teimosia.




Claudia Pinelli Rêgo Fernandes ®



domingo, outubro 21, 2007

O que é música afinal?

O que é música afinal?

Música é uma das coisas que eu conheço mais difíceis de se definir.

Música (do grego μουσική τέχνη - musiké téchne, a arte das musas) pode ser definida de forma bem primitivamente como uma alternância de sons e silêncio distribuídas ao longo de um tempo determinado.

Pode-se conceituá-la também através dos princípios da física, da linguagem, mantendo-a num campo puramente teórico, frio, até mesmo previsível. Ou deixar que ela, a música, por si só, faça acontecer a sua mágica, em que ela própria se auto-define através dos sentidos de cada um.

A música criou estratégias de sedução. E ela tem mostrado muito talento na sua aplicação nesta difícil empreitada. Quando uma música chega aos ouvidos, adentra pelos poros da pele, e assim vai percorrendo um caminho de sensações até chegar ao coração, ela está se apresentando para o ouvinte. Dessa forma, mostra suas notas, timbres, sua melodia, seus compassos, harmonia, às vezes letras, e com isso, dependendo do poder de sedução que ela possuir, esse percurso que parte dos ouvidos, passa pela pele e vai até o coração pode se transformar numa viagem sensorial, que aflora a emoção, arrepia os pelinhos e leva a lugares nunca antes imaginados.

Mas esse fenômeno não acontece a qualquer hora, com qualquer música. Isso depende muito. Depende da "química" entre esse ouvinte e a música. Acho bem bacana a origem da palavra vir de "musa", pois esta é exatamente a imagem alegórica que eu tenho da música. Algo que com seu poder mágico me seduz com arroubo. Ou não. Pois nem sempre se é brilhante o suficiente para aplicar corretamente uma estratégia. E porque nem toda musa é assim uma senhora musa, concorda?


Haverá três relações básicas (há outras, claro) entre você e uma música:

a) a música tocará e você nem perceberá que está tocando, tamanha a insignificância da mesma;

b) assim que começam as primeiras notas, você já tem vontade de quebrar a fonte daquele martírio, uma vez que a péssima qualidade da dita cuja é irritante; e

c) você sentirá uma sensação muito parecida com a de um orgasmo ao ouvi-la.


É exatamente a hipótese da letra c a que estou me referindo. É essa sensação, a qual costumo chamar de orgasmática, que procuro sentir ao ouvir uma música. Músicas insignificantes e de péssima qualidade abundam, o que na verdade, ao invés de diminuir, intensifica o poder transcendental que uma boa música tem. Já esta última está cada vez mais rara de se encontrar. E como sou viciada nessa sensação há tempos, estou me sentindo bem próxima de uma trip a la cold turkey. Talvez as verdadeiras musas decidiram fazer como a Greta Garbo e se retiraram. Para o azar desta que vos fala!


Mas como disse no início, música é uma das coisas mais difíceis de se definir.

Essa foi apenas a minha tentativa, assumidamente deficiente, de fazê-lo, pois é dessa forma que eu vejo e gosto de sentir a música.




Bjo.



Claudia Fernandes


P.S. Gostaria de colocar uma música do Camel chamada Ice para ilustrar os efeitos descritos na letra c em minha pessoa, mas não consegui em lugar algum links da música. Desculpe.



"A música é capaz de reproduzir em sua forma real,
a dor que dilacera a alma
e o sorriso que inebria."


Beethoven



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4 comentários:

André disse...

Olá!

musica, quando bem feita, é uma construção sonora, semelhante a uma construção arquitetônica, porém com funcionalidades outras, bem mais etéreas, bem mais agradáveis e, certamente, bem mais subjetivas.

Parabéns pelo blog.

Claudia Fernandes disse...

Oi, André...
Muito obrigada pelo carinho. Volte sempre que puder...
Pena que não há um link para eu poder fazer uma visita de retribuição. :o)
Um bjo.

Sir Lurch disse...

Vc parece ter um relação muito sensual com a música e isso é muito legal! Eu tb me sinto assim às vezes mergulhado em puro êxtase auditivo (e não estou me referindo a aquela música homonima do Barão Vermelho...), mas minha relação com a música e daqueles amores mais conturbados, varia muito de acordo com o dia. Há dia q uma música me parece como q um ultrassom da minha alma. Seria um tipo de ressonância? Mas tocar em público é q é msm uma sensação indescritível, pois depois do medo e da ansiedade tornarem-se insignificantes em meio à grandiosidade toda da coisa, vc se sente uno com o mundo, completamente integrado e entregado a uma coisa maior, é uma conexão quase telepática grupal, uma coisa muito louca. Eu até escrevi uma poesia sobre isso, qq dia publico. Bjos e valeu pela força! ^^ Pode deixa q eu sei q às vezes o tempo tb pode ser um bom amigo. Até!

André disse...

Olá, Cláudia,

vc tem razão, esqueci de por um link no meu post precedente. Mas não desta vez.
Tenha um belo dia, tudo de bom.

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My kind of Spirit...


You are the elusive Night Spirit.
Your season is Winter, when the stars are bright and frost crystallizes the fallen leaves.
You are introspective, deep-thinking, and mysterious.
Everyone is intrigued and a little intimidated by you because you have an aura of otherworldliness.
You work in extremes, sometime happy, other times sad, but always creative and philosophical.
You are more concerned with the unseen, mystical, and metaphysical than the real world.
Night Spirits have a tendency to get lost in themselves and must be careful not to forget reality, but their imagination is limitless.